Friday, February 12, 2016

[Opinião] As Gémeas do Gelo

Título: As Gémeas do Gelo (The Ice Twins)
Autor(a): S. K. Tremayne
Editora: TopSeller

Lydia e Kirstie tinham 6 anos e eram gémeas idênticas. Quando Lydia morre acidentalmente na queda de uma varanda, os pais mudam-se para uma pequena ilha escocesa, na esperança de reconstruírem, com a filha que lhes resta, as suas vidas dilaceradas.

Mas um ano depois, a gémea sobrevivente acusa os pais de terem cometido um erro e afirma que quem caiu da varanda foi Kirstie e não ela.

Na noite em que uma tempestade assola a ilha e deixa mãe e filha isoladas, elas dão por si a serem torturadas pelo passado e por visões inexplicáveis, que quase as levam à loucura. O que terá acontecido realmente naquele fatídico dia em que uma das gémeas morreu?

Lydia e Kirstie são gémeas idênticas. Toda a vida das pequenas os pais tiveram que as diferenciar com roupa de cor diferente ou com uma unha pintada.
Mas quando as gémeas têm apenas 6 anos e sem cor que as distinga realmente, uma delas cai da varanda e morre. 
A tragédia abate sobre esta família, mas ninguém conseguia prever que, um ano depois, seria ainda pior: Kirstie, a suposta sobrevivente, diz que quem morreu não foi a Lydia. E é com bastante desconfiança que esta trama se desenvolve.

Podemos contar com o ponto de vista de Sarah, uma mãe que está de luto pela filha e que, ao longo do livro vai desconfiando cada vez mais que a filha que perdeu não foi, de facto, a sua preferida. Lydia continua viva. Ou pelo menos é o que tudo indica pelos testes que a mãe vai fazendo a pequena passar.

Num outro ponto de vista na terceira pessoa, podemos ver Angus, um pai amargurado e louco pela sede de vingança. Durante a maior parte do livro não percebemos o porquê de ele odiar tanto a mulher; na outra parte levam-nos a crer que ele abusava sexualmente da filha que, supostamente morreu.

Este livro é forte. O sofrimento da pequena que sobreviveu deixou-me muitas vezes de coração apertado; apesar de no fim sabermos que a culpa foi de Sarah, eu não gostava que ela tivesse colocado um ponto final à sua vida. Não achei justo. Achei que, se ela já tinha passado por tanto, este seria apenas mais um obstáculo que ela teria de ultrapassar.

No final, seis meses depois, a história é-nos contada no ponto de vista de Angus. Um pai sobrevivente que agora tem que tomar conta da sua filha sozinho.

Kirstie foi sim a sobrevivente deste livro. Em todos os aspectos. Porque, apesar de a irmã ter morrido porque ela a "empurrou", a pequena teve que lidar com a tristeza dos pais, teve que lidar com o seu próprio reflexo e lembrança constante de que a irmã continuava viva e ainda perdeu a mãe.

Uma história trágica, de amor, perda e desconfiança, que acaba com Kirstie a sentir-se, finalmente, livre do fantasma da sua irmã.

Este foi o primeiro livro que li do autor e foi uma surpresa agradável, apesar de ser um livro que nos deixa triste e de coração apertado. Espero ler mais livros dele, mas num tom mais leve e menos sombrio.


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